O ponto de partida para grandes descobertas está na curiosidade, nas perguntas, dúvidas, na reconstrução. Conforme se costuma dizer, o que move o mundo não são as respostas e, sim, as perguntas. Mas, afinal, o que é uma pergunta? É exatamente isso que acabei de fazer: lançar uma dúvida, um questionamento.
Quando se tem uma dúvida e precisamos encontrar a resposta, o que fazemos? Pesquisamos, naturalmente, mas onde? A primeira ferramenta, nos dias atuais, que vem à cabeça atualmente seria o Google, correto? Quantas pessoas ativas digitalmente pesquisam algo no Google todos os dias? Nele, encontramos respostas das mais variadas: certeiras, dúbias, respostas escritas pelos sete cantos do mundo, baseadas em senso comum, ideológicas, mas também embasadas na ciência e capazes de trazer uma solução para determinado assunto.
O Google tem várias ferramentas disponíveis gratuitamente: o Google Books e o acadêmico, que já são destaques para quem está na academia, nas mais diversas áreas do saber, e elegem tais ferramentas como forma de aquisição de conhecimentos, de forma interativa e prazerosa.
O assunto principal deste artigo é exatamente mostrar como chegar a respostas por um caminho seguro e inteligível; como pesquisar de forma correta ao entender que o exercício da pesquisa nos possibilita compreender a realidade e descobrir profundamente sobre determinado assunto.
Até agora falamos apenas sobre o ato de pesquisar, independentemente de ser algo de cunho profissional ou pessoal. Falaremos então de uma pesquisa com cunho científico. Para fazer uma pesquisa científica você precisa montar um plano, se basear em um método e seguir caminhos determinados pela metodologia científica. É necessário estabelecer uma investigação planejada, iniciada por um projeto, com elementos que lhe darão o “tom” de ciência ao trabalho (problema, hipótese, objetivos, metodologia, resultados e, por último, responder o problema que iniciou a pesquisa, informar se você alcançou os objetivos, enfim, amarrar o assunto, concluir).
É muito importante que a pesquisa esteja ligada a realidade próxima do pesquisador, que tenha um elo com a prática, pois a verdadeira intencionalidade da pesquisa é fundamentalmente compreender o mundo das ideias, trazer descobertas de forma estratégica, responder a perguntas que norteiam ações e, sobretudo, que resolva o problema.
Na arquitetura, por exemplo, a pesquisa extrapola o campo dos livros, porque ela pode ser experimentada na prática ao se contemplar grandes obras arquitetônicas. Um problema lançado pela pesquisa arquitetônica pode ser desvendado com a observação empírica de sugestões apresentadas por outros profissionais em suas obras. Enquanto as teorias oferecem a base dos estudos arquitetônicos, a observação confere ideias, estimula a criatividade e extrapola o campo conceitual para o experimental.
A pesquisa não é uma atividade desenvolvida de forma autônoma. Você sempre estará na companhia de algum autor, baseando-se nas ideias de outrem. Para dar uma mostra prática disso, convidei uma pessoa entendida tanto de pesquisa quanto de arquitetura para contribuir com esse artigo. Passo a palavra ao Profº Farlley Derze, que é doutorando em História da Arquitetura pela UNB.
“É notável o engajamento dos arquitetos brasileiros que encontram na produção de pesquisas, mais segurança para fundamentar seu conhecimento. Tendo em vista o caráter social do trabalho do arquiteto, porque o que faz tem como destino o ser humano e a sociedade, a pesquisa se demonstra uma oportunidade ímpar para se tomar decisões conscientemente. Ela é o meio mais confiável para se encontrar respostas aplicáveis à vida prática. Foi assim com as vacinas, com os satélites de comunicação e tantos outros exemplos que visam o conforto do indivíduo e da sociedade. Questões que buscam mais respostas sobre reciclagem ou especificação de materiais bem como o estudo de técnicas construtivas, até as questões relativas a conforto térmico, acústico, lumínico, emocional ou a redução do consumo energético, estudos bioclimáticos e edificações auto-sustentáveis, são exemplos de pesquisas que se encontram na pauta do arquiteto afinado com o mundo contemporâneo.”
Portanto, a pesquisa é, para o pensador em geral, e mais precisamente para o arquiteto, o combustível de suas ideias. A forma encontrada para alavancar seus projetos imaginários trazendo-os para uma realidade palpável, compreensível e experimentável. Seja pelos livros, ou ao se emprenhar na vivência de outros profissionais, o arquiteto sempre encontrará formas de valorizar suas ideias, de expandir seus conceitos e de pensar além.