Quando foi concebido, em 1860, o telefone nasceu como um simples dispositivo de telecomunicações elaborado para projetar
sons por intermédio de sinais elétricos. No entanto, o italiano Antonio Meucci, creditado em 2002 como o pai da telefonia por ter patenteado a invenção 16
anos antes de Graham Bell apresentar seu modelo, em 1876, difi cilmente poderia ter imaginado o impacto no estilo de vida e na estética que o telefone
alcançaria nos dias atuais.
Partindo dos aparelhos movidos a manivela até os capazes de se conectar à internet e servirem como verdadeiras centrais multimídia,
o telefone passou por muitas transformações no decorrer de sua existência, desde inovações tecnológicas até aperfeiçoamentos puramente
estéticos.
Meucci, que havia criado o telefone para melhor se comunicar com sua esposa doente ao trabalhar em seu laboratório, no andar de
baixo do seu prédio, não conseguiu difundir seu invento com a mesma efi ciência que Bell, que apresentou o telefone durante a Exposição
Internacional em 1876. O Imperador D. Pedro II foi um dos principais entusiastas da idéia e fez com que o Rio de Janeiro fosse a segunda
cidade no mundo, depois de Chicago (EUA), a ter telefones instalados, em 1883.
Em 1877, quando os primeiros aparelhos começaram a ser comercializados, os telefones eram apenas caixas com um dispositivo único que servia para falar e escutar, pesando cerca de 5 Kg. As mudanças de tecnologia implicaram também na mudança da forma do próprio telefone. Criado em 1877, o telefone “carimbo” tinha um corpo de madeira ou de borracha dura e possuía um elemento acessório no formato de um carimbo ou sinete, que servia para ouvir.
Em 1878 foram criados os “caixões de Willians”, com dispositivos que podiam ser utilizados para falar e para escutar independentes,
e um sistema de campainha com magneto. Uma das maiores inovações para o período, no entanto, surgiu em 1926 com o modelo Candle Stick, que
consistia numa base em formato de castiçal para entrada de som, com um suporte para um fone de saída. O Candle Stick representava uma maior
facilidade no manuseio e um design mais agradável, o que já inferia o alcance que o design do telefone alcançaria.
Até o fi nal da década de 1960 os u s u á r i o s passariam a contar com c e ntrais automáticas, que eram acionadas por um disco com s i n a l i z a ç ã o decádica. A
mudança foi tão bem aceita que, já no início da década de 1970, passaram a ser utilizados os telefones com teclado eletrônico,
diminuindo o tempo de discagem.
O formato dos telefones também mudou muito com o tempo. Quando começou a se popularizar, o fone para ouvir e o para falar eram
peças diferentes. Mas em 1892 já se encontravam modelos requintados para casas onde ouvir e falar eram reunidos em um único fone – base prática do
funcionamento do aparelho desde então.
Foi em 1931 que a Ericsson apresentou uma novidade: o telefone de bakelite, menor, de design simplifi cado, o disco com os números e corpo preto
– o modelo básico que durou até o fi nal do século XX. Com o passar dos anos, designers começaram a propor modelos diferentes e ousados de telefone, com o discador embaixo, por exemplo.
A expressão “discar um número” ainda é muito usada, mas, na prática, o ato de discar, propriamente dito, foi há muito substituído por teclar. Os primeiros telefones com teclas para os números foram o Diavox, da Ericsson, que ficaram populares a partir de meados dos anos 1970, seguindo de perto o design padrão dos aparelhos (apenas substituindo o disco pelo teclado). Outra grande evolução estética foi a separação entre fone e o aparelho, com os telefones sem fio. Populares a partir dos anos 1980, o processo foi inventado em 1967.
Pouco mais de um século depois da invenção do telefone, a empresa Motorola desenvolveu a tecnologia do primeiro aparelho de tecnologia móvel, em 1973. Desta forma, além dos telefones já estarem presentes nos veículos e fabricados em diversas formas, seja em formato de hambúrguer ou de maquiagem, entre outros modelos similares, comuns na década de 1980 e 1990, a mudança provocou uma nova forma de convívio social. Os aparelhos poderiam ser levados a qualquer local e o indivíduo poderia se comunicar com praticamente qualquer pessoa, em virtualmente qualquer ponto do mundo.
O celular
Os aparelhos de tecnologia móvel eram excessivamente volumosos e pesados mas, no início da década de 1990, os telefones já traziam consigo artifícios da tecnologia, como o envio de mensagens e a adição de cores no mostrador. A possibilidade de envio de mensagens multimídia e internet foram outros grandes avanços para o mundo da telefonia.
No entanto, foi a implementação da câmera para imagens e vídeo que mudou a forma como as pessoas encaravam o telefone até então. Os “smartphones”, como passaram a ser denominados estes tipos de telefones, conseguem agregar vários recursos, como tocador de música, leitor de arquivos em texto, visualizador de imagens e acessar as diversas mídias sociais.
Com isso, nos anos 2000 o celular passou então a ser uma ponte para o mundo e mecanismo essencial para a comunicação pessoal e profissional. Para fazer jus a esta responsabilidade, os fabricantes, além da tecnologia de ponta, perceberam que o design e a qualidade visual dos aparelhos deveriam facilitar esta interação, criando sistemas operacionais para os celulares, os transformando em pequenas miniaturas de computadores.
O passo mais recente na tecnologia foi a implementação das telas de captação de toque para acionar as funções do celular. A velocidade e a interação com o aparelho passam a se caracterizar de uma forma cada vez mais potencializada, ampliando a fronteira de possibilidades para o futuro.
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