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Entrevistas

Quem parar para assistir a eventos como o Rock in Rio, a Copa do Mundo de Futebol e a Olimpíada terá a oportunidade de ver não apenas espetáculos magníficos de música e esporte. Nesses eventos, a arquitetura efêmera certamente dará um show à parte. Os espaços temporários montados para abrigar o público e os equipamentos necessários ganham destaque em grandes eventos, mas não se resumem a eles. A arquitetura efêmera pode ser utilizada livremente como solução para inúmeras necessidades. Desde um acampamento com os amigos, até uma megaexposição.
Às vezes, o projeto temporário se transforma em permanente como é o caso do Palácio de Cristal de Joseph Paxton (1803-1865) que foi construído em 1851 no Hyde Park para a Exposição Universal de Londres, foi desmontado depois do evento e reconstruído em 1852 em Sydenham Hill para ser utilizado como museu até 1936 quando um incêndio o destruiu por completo; a sua reutilização foi possível graças ao sucesso do edifício junto ao público londrino ocorrido durante a Exposição Universal.
A Torre Eiffel (324 metros, 10 toneladas) é também um bom exemplo desta possibilidade. Projetada como arco de entrada da Exposição Universal de 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923) no Champs de Mars e como marco do centenário da Revolução Francesa, a torre foi edificada para ser desmontada após a exposição, o que nunca ocorreu, pois a instalação de uma antena de transmissão de rádio em seu ápice possibilitou-lhe uma extensão de uso.
Na entrevista a seguir Glaucus Cianciardi, mestre em arquitetura com pós-graduação em História da Arte, conferencista e docente no curso de graduação do IPOG, pós graduação e treinamentos em todo território nacional destaca a importância desse filão no cenário atual.
 
AE Como podemos resumir o que é a arquitetura efêmera?
Glaucus Cianciardi A arquitetura efêmera, segundo Paz (Daniel J. Mellado Paz, em, livro de 2008), é aquela que se caracteriza pela sua impermanência no espaço, possibilitando ao homem abrigar-se minimamente, podendo incluir-se neste contexto desde as barracas de camping até um galpão industrial. A princípio toda arquitetura é efêmera; a sensação de efemeridade se dá quanto menor o tempo desta em um determinado espaço, e o quanto esta melhora o desempenho de um lugar que possuí um fim igualmente temporário, como por exemplo, uma via de tráfego que sede seu espaço para uma feira livre. O critério definidor da arquitetura efêmera não é a durabilidade potencial do objeto arquitetônico, mas, sim, o tempo que esta se desfaz de um dado lugar.
 
AE - Em um mundo globalizado como vivemos atualmente, qual a importância da arquitetura efêmera?
GC - A efemeridade da arquitetura permite a experimentação, de forma que as mais diversas linguagens do mundo globalizado podem ser utilizadas pelo profissional de forma a aumentar-lhe o repertório linguístico, assim como o volumétrico, espacial, luminotécnico, dentre outros.
 
AE - Como esse conceito pode ser utilizado e quais as maiores vantagens?
GC A rapidez da construção possibilita resolver problemas de necessidade de abrigo do ser humano em um curto período de tempo, com a mesma eficiência de uma arquitetura tradicional, como são os stands promocionais nas feiras de negócios, ou as barracas de camping no verão.
 
AE -Qual a média de custo de um projeto com essas características?
GC O custo é difícil de delinearmos, pois teríamos que comparar barracas de camping, com stands promocionais e arenas de shows, dentre outras modalidades de arquitetura que se enquadram em arquitetura efêmera, como as barracas de feira. Posso adiantar que ela pode atender a um orçamento bastante restrito, como dos estudantes que necessitam de abrigo para as suas férias de verão, propiciado pelas barracas de camping; ou serem tão onerosas como são os stands de vendas para o lançamento dos condomínios de luxo para o mercado imobiliário.
 
AE- Qual sua experiência mais marcante com a utilização de arquitetura efêmera?
GC - Talvez possa citar os projetos para a Bosch/ Continental, uma empresa voltada para a área de eletrodomésticos. Construímos vários stands promocionais para a empresa com cerca de 700 m² em apenas 10 dias; sendo que o stand era entregue todo decorado e com paisagismo implantado. Uma loucura. Posso citar também duas feiras inteiras montadas para a Fundação Roberto Marinho com o prazo até mais curto.
 
AE- O que é proibido fazer ao se trabalhar com um projeto com esse perfil?
GC- Quando se trabalha com arquitetura efêmera não se pode buscar soluções de projeto ou de execução na arquitetura convencional. São problemáticas e resoluções distintas. Tudo tem que ser pensado na praticidade de sua execução.
 
AE - Onde podemos encontrar exemplos bem sucedidos da aplicação desse conceito?
GC- Nos eventos promocionais com os seus stands, nas feiras livres e nos campings com suas barracas, nos stands de vendas dos lançamentos imobiliários, dente outros espaços como os eventos ligados a música como vai acontecer no Rock in Rio.
 
AE- No Brasil, eventos como as Olimpíadas e a Copa poderiam se utilizar de espaços assim?
GC- Certamente a arquitetura efêmera estará presente. Não existe a possibilidade de atender as necessidades deste público com a arquitetura convencional, mesmo porque o que faríamos com a ociosidade de todo este espaço construído.?

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