Há mais de 10 anos no mercado de arquitetura paisagística, a arquiteta e urbanista Juliana Castro fala sobre a importância da natureza nos projetos residenciais e comerciais com a propriedade de quem acumula no currículo um mestrado em Engenharia de Produção e comanda a empresa Jardins e Afins Arquitetura Paisagística, que atua há 11 anos criando espaços livres em públicos e privados, parques, praças e áreas de lazer. Juliana, que também é professora do curso Máster em Arquitetura do IPOG e vice-presidente da ASBEA-SC (Associação Brasileira de Escritório de Arquitetura), ressalta, na entrevista a seguir, entre outras coisas, as funções da arquitetura paisagística e da preparação profissional, item primordial para a execução de um trabalho focado na qualidade.
AE – Nos dias atuais, em que literalmente vivemos numa “selva de pedra”, qual a importância do paisagismo?
O paisagismo traz a natureza para o ambiente urbano, pois os jardins são o meio termo entre a natureza pura e o ambiente construído. Com o crescimento das cidades é cada vez mais necessário planejar os espaços livres e incluir as áreas verdes em meio ao tecido urbano. Isso vale não só para os espaços públicos como também para os privados. As áreas verdes são cada vez mais valorizadas pelos moradores das cidades e por isso também agregam valor aos empreendimentos imobiliários – por isso esta área da arquitetura está crescendo muito no Brasil.
AE – Que espaço a natureza deve ocupar dentro de um projeto?
A preocupação com a natureza, sua preservação e inserção na vida das pessoas, deve estar desde a concepção inicial integrada aos projetos de arquitetura, paisagismo, engenharia... Pois precisamos pensar no futuro e, para tanto, precisamos lembrar de onde viemos. Sempre precisaremos do meio natural para viver, seja pelo nosso bem estar físico ou psicológico.
AE – Além de deixar os espaços mais bonitos que outras funções podem ser atribuidas ao paisagismo?
O paisagismo é um grande promotor desta relação do homem com a natureza nas cidades. Os benefícios das áreas verdes bem planejadas são muitos, como a promoção de mais segurança, ampliação do uso para lazer e esportes ao ar livre, trazendo mais saúde às pessoas, melhora significativa do microclima – por exemplo, nas áreas sombreadas a temperatura é menor –, diminuição da quantidade de gás carbônico na atmosfera, entre outros.
AE – O projeto paisagístico deve ser integrado ao de arquitetura?
Se pensados em conjunto, estes projetos serão mais alinhados e o resultado final com certeza será melhor. Existem vários pontos de interferência entre eles, principalmente quando se trata de empreendimentos imobiliários onde todos os profissionais estão trabalhando para a consolidação de um mesmo produto. Tecnicamente a interferência entre os dois e os projetos de engenharia é grande: desde a composição da fachada até detalhes construtivos funcionais, como ventilação de sub-solos, drenagem, etc.
AE – Qual a importância da formação profissional específica?
O arquiteto é, no Brasil, o profissional habilitado a trabalhar nesta área. Porém, ele precisacomplementar sua formação com conhecimentos de botânica, agronomia e geologia. O paisagismo é um trabalho sério, com efeitos grandiosos. Por isso, precisa ser realizado por profissionais preparados e conscientes da importância e responsabilidade de seu trabalho.
AE - Poderia dar exemplos de paisagismo que são destaque no Brasil?
Nos empreendimentos imobiliários em geral existem muitos exemplos. Em espaços públicos, podemos citar o Parque da Gleba E, de Fernando Chacel, e o Aterro do Flemengo, de Roberto Burle Marx, ambos no Rio
AE – Na sua visão, quais os maiores desafios que os profissionais dessa área enfrentam?
O mais difícil é que as pessoas entendam o que fazemos, pois muitos confundem este trabalho com jardinagem. E é muito mais do que isso, envolve muitos aspectos técnicos e conceituais que são próprios da arquitetura. Por isso o termo mais adequado é arquitetura paisagística – e não paisagismo.
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