Revista Arte Estudio

Uniflex
Aline Montenegro e Carolina Vieira
arquitetas

Entrevistas

Três letrinhas que estão em evidência no mundo da iluminação: LED. Abreviação do termo em inglês light emittng diode, ou “diodo emissor de luz”, trata-se um semicondutor que emite luz quando é energizado. Os LEDs substituem as lâmpadas em locais ou instrumentos onde é mais conveniente, mas sua versatilidade tem tornado o material cada vez mais comum em residências e fachadas. O lighting designer Daniel Muniz fala à ARTESTUDIO sobre seu uso e as novidades acerca dos LEDs.

AE – Por que a iluminação com LEDs está tão em evidência?
Na verdade, os LEDs já existem há bastante tempo. Hoje ele está em grande evidência por dois principais aspectos. Necessidade de eficiência energética em edificações e aplicabilidade na iluminação residencial, comercial, pública e na comunicação visual. E quando se trata de aplicabilidade em edificações em regiões onde há uma temperatura térmica alta em grande parte do ano – como, por exemplo, o Nordeste – entra uma terceira variável, a “temperatura térmica emitida”, que no caso dos LEDs são bem baixas.

AE – Quais os usos mais indicados para LEDs?
Regra geral, os LEDs têm boa aplicação para iluminação de tarefas, ambiente com iluminação reduzida (corredores e garagens, por exemplo)e sinalização. Mas eles podem ter inúmeras aplicabilidades.

AE – E há situações em que esse tipo de iluminação não é recomendado?
Não existe nenhuma contraindicação para a aplicação.O que é indicado, em regra geral, é evitar o uso do LED em luminárias totalmente fechadas, onde não há ventilação para os diodos. Mas, de fato, o que tem que ser feito com bastante critério é obedecer as características técnicas de corrente, de segurança, vazão do calor, etc., fornecidas pelos fabricantes dos diodos e dos chips. A atenção para o tipo e as características do que está sendo comprado ou especificado é o grande limitador de aplicação dos LEDs. Estas informações devem estardisponíveis em catálogos impressos ou virtual dos
fabricantes ou solicitados a um especialista da área.

AE – Que tipo de uso mais ousado de LEDs, Do tipo em que arte e arquitetura realmente fi cam muito interligadas, podemos encontrar?
Hoje vemos muito a aplicação dos LEDs em projetos ousados de fachada, monumentos e comunicação visual. Já que é um sistema fl exivel (com fi tas e mangueiras de LEDs), ele consegue contornar e adaptar-se a curvas e contornos das fachadas. Já na comunicação visual, painéis publicitários de LEDs em grandes avenidas e em eventos já são bastantes utilizados.

AE – Temos algum exemplo assim em João Pessoa?
Temos exemplos de comunicação visiual nos painéis instalados na Av. Gov. Flavio Ribeiro Coutinho e na Av. Pres. Epitacio Pessoa, sinalização de trânsito e também na nova iluminação da torre da TV Cabo Branco. E na iluminação natalina promovida pela Prefeitura de João Pessoa.

AE – Qual é o futuro dessa tecnologia?
O que podemos esperar dela? Vem sendo gastos milhões nesta tecnologia para aumentar o fl uxo luminoso destes diodos o que
permitiria a aplicação bem mais vasta. Mas o que vem chamando a atenção nos últimos meses são os O-LEDs, organic light emitting diodes, que consistem em semicondutores produzidos a partir de películas fi níssimas superpostas de materiais à base de carbono, que podem ser dobradas, fl exionadas ou até mesmo recortadas. Por estas características, eles podem agregar qualquer forma geométrica e também emitir luz de ambos os lados. Poderemos no futuro montar paredes uniformemente iluminadas, forros, vidraças e eletrodomésticos. O primeiro centro brasileiro de pesquisas de O-LEDs já foi montado no estado de Santa Catarina e provavelmente teremos boas novidades neste produto.

AE – Há algum tipo de cuidado de manutenção específico para o usuário e algum que deva ser observado pelos light designers?
Vários tipos de cuidado. O ideal para o usuário fi nal é procurar um estabelecimento confi avel ou especialista antes de adquirir LEDs. Já queé um produto “novo” na iluminação, algumas informações importantes de aplicabilidade, manutenção e segurança não estão bastantes claras para os consumidores. Os LEDs tem muitas variáves que precisam ser observadas antes da aplicação. Fluxo luminoso, depreciação, cor do tingimento, corrente, vida útil, etc. Então o especialista vai indicar o melhor produto, entre vários disponíveis no mercado, para aquela necessidade especifica. Principalmente na iluminação residencial, onde o consumidor normalmente está tendo o primeiro contato com a tecnologia de LEDs e não sabe de todas as variáveis envolvidas para a aplicação. Ou, quando sabe, obteve estas informações em sites ou reportagens não confiáveis e acham que os LEDs podem ser aplicados de qualquer forma e em qualquer lugar sem observar as suas características. O maior exemplo disso no mercado residencial de massa é a utilização de lâmpadas LEDs no formato “dicroica” de péssima qualidade e em luminárias totalmente despreparadas para recebê-las. Então uma lâmpada LED que vem, no seu manual, com vida útil de 30 mil horas, não chega a durar 1/5 disso. Isso termina causando uma insatisfação quanto ao produto, mas, na verdade, foi uma má aquisição e uma má aplicação que gerou a queima precoce.

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