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Materializando a felicidade humana

Uma busca pela natureza do belo na arquitetura e a relação com a satisfação do indivíduo e da sociedade que o cerca. Foi com este olhar que o escritor suíço radicado na Inglaterra, Louis De Botton, elaborou o livro, A Arquitetura da Felicidade, de 2006 (tradução de Talita M. Rodrigues; Rocco; 272 páginas). Na obra o autor mergulha no cotidiano pelo viés da influência da arquitetura, explicitando ao leitor como ele se depara com a importância da arquitetura diariamente.
Como em seus demais livros, Botton expõe conceitos próprios e de artistas, filósofos e pensadores. O principal conceito de Botton no livro deriva da ideia do romancista francês Stendhal em que “o belo é uma promessa de felicidade”. Com isso, Botton mostra que o ápice das construções – sejam elas casas, igrejas ou prédios de escritórios – são uma materialização da idealização do que desejamos.
A narrativa do livro induz o despertar do leitor para os significados no design dos objetos elementares. Nessa ótica, o ensaísta faz uma imersão em como objetos comuns, como uma cadeira, podem despertar um estado de espírito diferenciado nas pessoas, suscitando reações diversificadas por estes objetos serem, por exemplo, de forma sinuosa ou em ângulo reto.
O livro é preenchido com imagens que ilustram os conceitos do autor, passeando por uma miscelânea de escolas de construção, como o gótico, islâmico e modernista, em que ele mostra que várias construções de grande porte, apesar serem estruturas materiais inanimadas, conseguem aflorar uma personalidade e despertar no homem sensações como a segurança, calor e privacidade, ressaltando como os traços humanos se refletem na arquitetura.
Com outros nove livros publicados em 20 línguas – entre eles, Ensaios de Amor, de 1993, O Movimento Romântico, de 1994, Como Proust Pode Mudar Sua Vida, de 1997, As Consolações da Filosofia, de 2000, A Arte de Viajar, de 2002, Desejo de Status, de 2004, Prazeres e Desprazeres do Trabalho, de 2009, e Religião para Ateus, de 2011 –, o estilo narrativo inusitado de Botton se faz presente em cada obra, seja mesclando elementos de uma novela com elementos não-ficcionais, seja enfatizando o lirismo filosófico, ou como em seu best seller Como Proust Pode Mudar Sua Vida, misturando ficção à auto-ajuda.

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