A música sertaneja não é o gênero mais identificado com a Paraíba, é verdade. Mas foi da terra do forró que surgiu um dos grandes nomes desse estilo: a pessoense Roberta Miranda. O caso é que Maria Albuquerque Miranda (seu nome de batismo) mudou-se com a família para a cidade paulista de São Miguel Paulista quando tinha apenas oito anos – e por isso a música sertaneja não era um ambiente estranho para ela. E como desde criança ela tinha o sonho de ser cantora...
Descobriu então uma coisa incrível: O multi-instrumentista Hermeto Paschoal morava na mesma rua! Ficava vendo o artista trabalhar enquanto alimentava o sonho de ser cantora profissional. Mesmo com a oposição da família, que queria que ela fosse professora, foi em frente e os 16 anos começou a tocar em bares e bailes. E também a compor.
Começou a abrir shows de artistas famosos e recebeu propostas de vender suas composições – como acontecia com os sambistas do tempo de Noel Rosa. Recusou. Acabou sendo recompensada com o sucesso de “De igual para igual” nas vozes de Matogrosso e Mathias. “Sua majestade, o sabiá”, talvez sua obra-prima, foi gravada em 1985 por Jair Rodrigues – e chegou perto de vender um milhão de cópias.
O passo seguinte foi lançar o primeiro disco como cantora. Aconteceu em 1986 e o LP levou seu nome. Foram mais de 800 mil cópias vendidas, puxadas pelo sucesso de “São tantas coisas”, entre outras canções. O segundo LP, de 1987, foi ainda mais longe: quase um milhão de cópias. O sucesso crescente rendeu o título informal de Rainha da Música Sertaneja.
E ela continuou lançando sucessos, expandindo sua área de atuação para a música romântica: regravou Roberto e Erasmo com “Eu te amo”, em 1995, “Sentado à beira do caminho”, em 2001 (esta, junto com Simone), e “Eu disse adeus” (para o projeto Emoções Sertanejas, uma das homenagens aos 50 anos de carreira do Rei). A cada disco, os prêmios de disco de ouro, platina e até platina-dupla se repetiram. Em 2000, lançou seu 13º disco, Ao vivo, rendeu também o primeiro DVD: Majestade, o Sabiá, que fazia um resumo da carreira.
Em 2001, Tudo Isto É Fado levou Roberta Miranda ao mundo da música portuguesa, cantando “Nem às paredes confesso” (antigo sucesso de Roberto Leal) entre outras, sendo acompanhada por músicos que acompanharam a mitológica Amália Rodrigues. E este ano está lançando o novo disco: Boleros. Um estilo que, no fundo, não é novidade alguma na carreira de Roberta Miranda, sempre adepta do romantismo – entre amores e desamores – em suas composições.
Sucesso incontestável na música sertaneja, Roberta Miranda foi reconhecida muitas vezes além do gênero. Não por acaso, teve shows dirigidos por gente que não é relacionada, à primeira vista, a esse estilo, mas que está entre nomes muito especiais da cultura brasileira, como Waly Salomão, Eduardo Dussek, Ronaldo Bôscoli e Bibi Ferreira.