Um restaurante especializado em frutos do mar, numa das principais ruas do bairro de Manaíra, em João Pessoa, vem surpreendendo os visitantes com uma arquitetura moderna e aconchegante. Projetado pelo arquiteto Leonardo Maia, o restaurante Nau começou a ser feito em fevereiro de 2010 com uma ideia muito legal: a temática náutica prevalescendo em toda a atmosfera, mas sem abrir mão da essência dos outros restaurantes do grupo, entre eles o já consagrado Mangai.
“Pensamos em itens que remetessem ao tema náutico, de forma que os visitantes se sentissem bem no ambiente. Por isso, toda a mobília, além dos materiais de acabamento, áudio, iluminação e acústica foram pensados em consonância para proporcionarmos aos consumidores a sencação de estar num lugar aprazível saboreando a peculiar culinária dos clientes”, explicou Leonardo.
Como realmente o principal objetivo era remeter ao mar, ao mundo náutico, a ideia do navio nao foi à toa. O uso das escotilhas traduz de forma original essa intenção. Mas o arquiteto acrescentou que o resultado ficou bem interessante, já que foi mixada a ideia do barco “dialogando” com uma casa de praia. As esquadrias em madeira em forma de veneziana, aliadas aos tijolos furados (inseridos intencionalmente por razões de estudos acústicos - uma vez que foi colocada uma camada de espuma acústica abaixo destes elementos), harmonizam com o contexto do navio.
O espaço foi idealizado para 150 pessoas sentadas, aproximadamente. Mas com a crescente demanda e sucesso do restaurante, os proprietários pediram ao arquiteto duas ampliações: uma já programada dentro do vetor de crescimento do local, que fica acima da cozinha e tem um bloco de estrutura pré-moldada, e uma segunda totalmente nova, que foi feita em estrutura metálica. Essa outra parte foi toda pensada dentro de um caráter neutro, para que não agredisse a tipologia da edificacão, no conceito de um container.
Assim, foram criados mais 50 lugares, num espaco totalmente novo e conceitual.
E o sucesso é tão grande que, mesmo com a ampliação, sempre tem alguém esperando para saborear as delícias servidas no Nau.
Mas a espera se torna mais agradável, num lounge muito confortável, já dentro do restaurante, onde as pessoas podem saborear um drink ou petiscar as deliciosas entradas do menu.
A ideia da cozinha com visibilidade foi um pedido especial dos empresários, que queriam mostrar transparência no processo de confecção das comidas, para apreciação total dos clientes. “O resultado ficou realmente o que todos nós esperávamos”, afirmou Leonardo.
Madeira
Em todo o projeto, Leonardo Maia usou muita madeira. “A madeira é um elemento atemporal e neutro. Além disso, ela dialoga perfeitamente com a tipologia das empresas do grupo e proporciona o aconchego buscado para o local. No caso das mesas e detalhes de piso, elas também oferecem grande resistência e beleza”, confirmou o arquiteto, explicando ainda que todos os itens que possuem esse material foram detalhados pelo escritório: mesas (em madeira mista de demolição), cubas dos banheiros (em forma de canoas esculpidas), painéis, bar e adega.
Iluminação
A iluminação do restaurante, com detalhes indiretos nas sancas de gesso acústico, foi pensada paralelamente a pendentes artesanais em fibra, que também foram desenhados pelo escritório e executados pela Terra do Sol, todos em mão de obra artesanais. Elipses em fio de palha trançados, peixes em palha da costa são itens elaborados por estas comunidades que a empresa de artesanato incentiva.
Também foi colocada uma inusitada canoa de pescador, comprada em uma das visitas de Leonardo Maia a comunidades próximas.
Ela foi colocada no teto, ressaltada por focos em LED. Este tipo de iluminação também está presente na estante metálica com vegetação no salão, bem como balizando a passarela em cerâmica artesanal que marca o acesso ao restaurante.
Fachada
A fachada foi projetada com volumes sólidos, retilíneos e contemporâneos que oferecessem uma linguagem perene, para que o visitante pudesse se surpreender ao entrar no restaurante. Texturas grossas, panos de vidros, marquises em balanço também fazem parte do conjunto. Um enorme pórtico, com vão livre de 13 metros, emerge sob uma lâmina d’água vestida em vidrotil verde, com uma sutil queda d’agua, foi todo revestido em “escamas” de aço inxidável desenhadas pelo escritório e executadas artesanalmente por uma metalúrgica. “Um processo manual, longo, mas com resultado primoroso, uma vez que o inox estabeleceu um conjunto bastante interessante com o concreto que compõe o elemento”, concluiu o arquiteto.
Revestimentos: Oca revestimentos / Portobello Shop
Esquadrias e piso em madeira: Fecimal
Mobiliário: Espaço A / Sierra
Persianas: Uniflex
Gesso: Ricardo Rolim
Luminárias artesanais: Terra do Sol
Iluminação: Lustres Yamamura
Texto: Déborah Cristina
Fotos: Cácio Murilo