Um projeto com linhas arrojadas para uma casa, num condomínio horizontal num dos bairros mais nobres da capital da Paraíba, o Altiplano. Este foi o desafio das arquitetas Aline Montenegro e Carolina Vieira, feito especialmente para uma família de quatro pessoas – um casal com dois filhos. Por se tratar de um terreno de esquina, a edificação ficou mais recuada em relação às testadas norte e oeste, privilegiando a ventilação e a privacidade no uso da casa.
As arquitetas utilizaram materiais rústicos – pedra Itacolomy, painéis de madeira maciça, tijolo aparente, telha cerâmica – criando o visual contemporâneo, destacando o jogo de empenas que fazem composição com a coberta de inclinação bastante acentuada, o que tornou- se um marco para o partido arquitetônico adotado. Além disso, essas divisões adquiriram um papel importante na distribuição interna, conectando o setor de serviço, social e lazer.
O programa de necessidades solicitado pelo cliente se distribui em dois pavimentos – térreo e pavimento superior – totalizando uma área em torno de 250m². No pavimento térreo distribui-se o setor social e de serviços, separados por uma empena revestida em pedra que percorre a casa no sentido longitudinal do terreno e arremata a coberta. Voltado para a fachada oeste, fica o acesso para circulação de serviço (dependência de empregada, BWC de serviço e área de serviço) e a garagem para dois veículos. Através da garagem têm-se contato com a área de serviço, assim como com um pequeno hall onde se distribui o acesso à escada (pavimento superior), à cozinha e à sala de jantar. “Escolhemos colocar a caixa de escada vazada na altura do patamar para que pudesse, além de receber iluminação natural, estabelecer a relação do exterior com o interior da casa”, explicou a arquiteta Aline Montenegro.
Ainda neste pavimento está localizado o setor social, abrangendo a sala de jantar, a sala de estar e TV, um terraço interno, além de quarto de hóspedes e bwc social. “Este banheiro é um dos pontos de destaque do projeto, por otimizar o uso de uma área molhada da casa que normalmente tem um custo alto de construção. Ele foi localizado de forma a poder englobar as funções de lavabo interno a casa, lavabo da piscina e banheiro para o quarto de hóspedes”, afirmou Carolina Vieira, esclarecendo que esta decisão veio acompanhada de um detalhamento mais preciso das esquadrias que receberam uma conotação de painel compositivo da fachada.
Espaço de lazer e contemplação
O espaço de lazer fica voltado para o norte. A piscina se localiza na porção noroeste, sendo banhada pelo sol durante praticamente todo o ano a partir das 10 horas. Mas, apesar de encontrar-se na esquina do terreno, foi resguardada visualmente com o uso de uma cerca viva, o que dá mais privacidade aos moradores.
Foi trabalhado um empraçamento de chegada com patamares generosos em porcelanato natural que se conecta com o setor da piscina, tomando para o si o papel de deck. As arquitetas também optaram por montar um terraço na entrada da residência. Voltado para área de lazer e emoldurado por um muxarabis, ele é um convite para viver momentos de contemplação. E não é só isso. “O artifício também possibilita a entrada de ar no verão e funciona como escape da ventilação nos demais meses do ano, além de permitir a privacidade no uso da circulação do pavimento superior”, disse Aline. Neste pavimento se encontra o setor íntimo, com três confortáveis suítes e um escritório, interligados por uma passarela em madeira e peitoril em vidro.
Após conclusão da obra, a equipe de arquitetura realizou uma avaliação pós-ocupação (APO) e o resultado não poderia ter sido melhor: a satisfação dos proprietários no que diz respeito ao conforto térmico e funcionalidade da casa. “É gratificante transformar o sonho de nossos clientes em realidade”, finalizaram as arquitetas.