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O designer gráfico e industrial |
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Pensar o design dentro de um paradigma holístico, em que a preocupação de desenvolver soluções ultrapasse a barreira estética e econômica, e ganhe uma dimensão plural, ambiental, tecnológica e cultural. É esta a proposta defendida pelo designer gráfico e industrial, Eduardo Barroso, que esteve em João Pessoa em janeiro e discutiu com arquitetos, designers e artesãos as convergências possíveis e desejáveis entre o artesanato, arquitetura e design. Nesta entrevista à jornalista Kaylle Vieira, Eduardo Barroso fala sobre a prática do designer, design urbano, valorização cultural e os caminhos que cruzam e limitam o design e o artesanato.
Eduardo: Eu vejo o design hoje não mais como uma profissão e sim como uma área de conhecimento que qualquer profissional dela pode se valer. Para mim, o design é projeto, e projeto é você conceber algo que até então não existia. Se você faz isso considerando todos os requerimentos necessários – como a dimensão estética, econômica, plural, ambiental, tecnológica - aí sim você está praticando o design. O design é mais que uma profissão, é uma forma nova de se lidar com problemas.
Eduardo: Na escola de design que montei em Santa Catarina , trabalhamos o design dentro do paradigma holístico. Não formamos designers gráficos, de produtos, de ambiente ou de interiores, e sim pessoas que culminam uma metodologia que nos permite trabalhar em qualquer área, desde um projeto de uma peça artesanal até um projeto de uma cidade. O campo do design se ampliou muito. As fronteiras desapareceram e existe uma consciência maior para isso. |
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"O design é mais que uma profissão, é uma forma nova de se lidar com problemas."
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Eduardo: Acho que a primeira coisa é gerar a solução dos problemas urbanos fora de uma agenda política comprometida com mandatos. Uma cidade não se resolve num mandato de quatro anos, nem de oito. E os nossos governantes, infelizmente, querem fazer ações, como disso o próprio Lula, que eles querem inaugurar. Há ações que não é possível colher os frutos no dia seguinte. Na educação, por exemplo, inaugurar escolas não significa que você vai formar pessoas. Devemos começar a aprender a pensar na cidade a partir das suas vocações e dos desejos de seus habitantes. Essa é a contribuição maior que o design tem tentado dar e sempre uma visão de longo prazo
Eduardo: O nosso maior patrimônio é a nossa cultura, não só aquela cultura do patrimônio tangível, monumentos, arquitetura, espaços público, mas também a cultura do patrimônio unilaterial, os saberes, os fazeres, as tradições, os mitos, ritos, lendas, arte popular. Tudo isso faz parte da nossa cultura que tem ser resgatada e valorizada .
Eduardo: Eu acho que a aproximação entre design e artesanato não é só desejada, como indispensável. O artesanato precisa do design para se renovar e o design precisa do artesanato para poder buscar referências no seu entorno cultural, e não ficar só olhando para as lojas, que são os modismos exógenos que não tem nada a ver com a nossa cultura. Agora como toda relação que aproxima formas distintas de trabalhar, ela tem o seu grau de dificuldade. Para isso os designers têm que aprender a trabalhar com o artesão, não para o artesão. O designer tem o conhecimento de mercado e o artesão, o conhecimento do processo. O designer tem que se despir do narcisismo de fazer objetos para adoração dos templos de consumo e virar uma pessoa preocupada em dar as respostas às demandas da sociedade. Se isso acontecer, eu acho que se elimina todo o risco que existe de você deteriorar ou pasteurizar a produção artesanal, criando produtos de uma estética urbana simplista que não levam a nada . |
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Eduardo: É aquele produto cuja qualidade é percebida pelo consumidor. Quando uma pessoa compra um produto artesanal, ela não está comprando só um artefato, está comprando um pedaço de uma experiência de vida, uma memória de uma experiência de vida. Para isso, é preciso tornar visível, aparente e conhecido, atributos de um produto que as pessoas normalmente não o identificam, como o tempo que um produto levou para ser feito, a história do artesão ou da comunidade que fez aquilo. Estamos hoje no que se convencionou chamar economia da experiência, os produtos e serviços passam a custar não apenas o seu valor intrínseco, mas a experiência que está agregada a eles. Quanto é que vale uma bonequinha de pano? 1 real? 50 centavos? Mas ela pode valer muito mais se ela está relacionada a uma história, a um contexto, a um processo, a uma comunidade que se estruturou, que se organizou, que encontrou dignidade e auto-estima, isso é um valor agregado. Isso tem que ser dito, tem que ser mostrado .
Eduardo: A gente tem os exemplos do México, da Colômbia, de uma série de paises que fizeram isso sem perder essa característica. Porque o que define um atributo de um produto não é a padronização de um processo, isso apenas aumenta a produtividade. O que define a qualidade do produto é o seu acabamento, a destreza com que a peça foi montada, a qualidade da matéria-prima empregada. Não é porque você vai fazer uma quantidade maior, que você tenha que, necessariamente, perder a qualidade. Você pode até racionalizar e aumentar a qualidade por conta desse aumento da escala de produção. O design ajuda nesse contexto, tornando os processos mais eficientes, mais rentáveis e de maior qualidade. |
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